segunda-feira, 11 de maio de 2009

Atraso [Pequenas Coisas da Vida]

Eu estava super atrasada naquele dia, o ônibus tinha demorado demais e eu só conseguia me perguntar: "Por que eu fui voltar pra casa e não direto pro trabalho?"
Eu estava super cansada naquele dia.
Quando eu entrei no quarto, correndo muito para trocar de roupa, eu demorei para perceber, mas ele estava ali, se sorrindo para mim de um jeito prepotente como quem sabe que pode arrancar um sorriso de corações até muito mais apressados que o meu.
Um bilhete. Bilhetinho. Era dele.
"Ah é verdade ele passou por aqui quando eu não estava hoje."
Dizia só:

Bilhete surpresa!
Eu te amo!
=]

Mas quanto sorriso cabia naquele papelzinho, naquelas duas exclamações. De repente parecia tão justificável me atrasar para o trabalho e namorar mais uns minutinhos aquelas palavras simples que foram escritas sem saberem a importância que teriam no meu dia. Me atrasar só um pouquinho para dar todo o meu sorriso para aquele bilhetinho.
Me atrasei.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sudden Silence [Pequenas Coisas da Vida]

I've noticed that, unlike so many people, I like the silence. Not the common silence, because like I am saying it is just too common. I like the sudden silence: a friends gather, beer, talking, shouting and suddenly the silence, people say it's caused by the passage of an angel, maybe it is.
However, it isn't quite that silence that has passionate my heart, though it also puts a smile on my face, the one silence I am talking about it's as when you're walking on the street, minding your own business, when your head is as noisy as everything around. Out of nowhere, totally unexpected: the cars stop passing by and the voices cease and it is silent...
It catches your attention better than if someone had shouted at you, it has been happening to me. Twice this last few days and it makes me so happy. I don't even know why. It just puts peace in my, lattely troubled, mind. It weirdly makes me realize how alive I am, how lucky I am, how well I can do in life.
All that from the sudden silence. That second in life, which makes so easier to understand everything that has already happen to you. All that crazyness you live in is just behind and ahead but not in that silent moment...
I wish I could ask one of these moments to the shooting stars, but if my wish came true it wouldn't be sudden.

.

Eu notei que, diferente de muitas pessoas, eu gosto do silêncio. Não o silêncio comum, porque como eu estou dizendo ele é tão comum. Eu gosto do silêncio repentino: uma reunião de amigos, cerveja, falação, gritaria e de repente o silêncio, as pessoas dizem que é causado pela passagem de um anjo, talvez seja.
No entanto, não é bem esse silêncio que deixou meu coração apaixonado, apesar de também colocar um sorriso em meu rosto, o silêncio do qual eu falo é como quando você está andando na rua, cuidando dos seus próprios problemas, quando sua cabeça estão tão barulhenta quanto tudo em volta. Vindo do nada, totalmente inesperado: os carros param de passar e as vozes cessam e está silencioso...
Chama mais sua atenção do que se alguém tivesse gritado com você, tem acontecido comigo. Duas vezes esse últimos dias e me deixa tão feliz. Eu nem sei por quê. Simplesmente coloca um pouco de paz na minha, ultimamente atulhada, mente. Estranhamente me faz perceber o quão viva eu estou, quanta sorte eu tenho, quão bem eu posso ficar na vida.
Tudo isso por causa do silêncio repentino. Aquele segundo na vida, que faz tudo que já aconteceu com você tão mais fácil de ser entendido. Toda a locura na qual você vive está simplesmente antes e depois, mas não naquele silencioso momento...
Queria pode desejar um momento desses às estrelas cadentes, mas se meu pedido fosse realizado não seria repentino.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Complexidades da MINHA mente num sábado de manhã

Que barulho é esse?!? 7:30. O despertador. Como é difícil acordar sem ser arrastada da cama por alguém, mas por que ninguém me acordou? Ah, é mesmo eles foram viajar.
Ahh meu Deus, eu tenho prova hoje! Corre. Eu tenho que pegar minhas dúvidas pra revisão, tomar banho, tomar café.. corre.
Eu não quero ir, vai ser chato. Com certeza o ônibus vai estar lotado, mas tudo bem porque são só uns 10 minutos até lá, eu não me importo. E depois eu vou direto pra casa do Fê. =]
BanhoooooooooooooooooooooOo. Caf. Corre pro ponto. Mas por que tanta gente acorda cedo no sábado!? Que confusão.
Uau.. só porque eu pensei, que silêncio. Arrebatador eu diria, deveria escrever sobre isso no meu blog. Sobre o efeito desse silêncio no meu sábado de manhã. Aliás, deveria voltar a escrever no meu blog, mas eu tô tão sem tempo, tão cansada, mas eu deveria voltar. Fica ruim sem escrever nada o tempo inteiro.
Ahhh o ônibus, corre! Lotado. Que coisa mais chata. Dá licençaa, eu vou descer. Por que você tá na porta se não vai desceeer??? Ufa, cheguei.
¡Hola! ¿Que tal?
Vamos a la prueba...

E ai acabou minha manhã.

;]

sexta-feira, 6 de março de 2009

Carta a D.

Quem dera eu tivesse esse talento, citações do livro Carta a D. de Andre Gorz:

"(...) carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de prencher."
"(...) minha relação com você foi a reviravolta decisiva que me permitiu desejar viver."
"Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro."
"Eu tinha a impressão de construir com você um mundo protegido e protetor."
"(...) seria necessário que o nosso amor fosse também um pacto para a vida inteira."
"(...) o único jeito de nos manter aquecidos era ficar na cama."
"A precisão das lembranças que eu guardo me diz a que ponto eu a amava, a que ponto nós nos amávamos."
" '- Nós seremos o que fizermos juntos.' "
"Bastava que eu consentisse em viver o que eu estava vivendo, em amar mais do que tudo seu olhar, a sua voz, o seu cheiro, seus dedos afilados, o seu jeito de habitar o seu corpo, para que todo o futuro se abrisse para nós."
"Eu estava consciente de precisar de você para encontra o meu caminho; de só poder amar você."
" 'Amar um escritor é amar que ele escreva.' "
"(...) é impossível explicar filosficamente porque amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras."
"Acho que eu precisava mais do seu julgamento do que você do meu."
"(...) nossa união como a decisão mais importante das nossas duas vidas."
" 'A você, Kay, que ao me dar Você, deu-me Eu.' "
"Na primeira noite, nós não dormimos. Um escutava a respiração do outro."
"(...) só uma coisa me era realmente essencial: estar com você."
"Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância."
"Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos."

quinta-feira, 5 de março de 2009

Metáfora

Terça à tarde. Muito trabalho. Eu sabia que não ia sair da frente do computador tão cedo. Eu costumava adorar dias assim, com muito o que fazer; mesmo tendo um prazo, eu gostava da pressão sobre coisas que eu sabia que conseguiria resolver. Não sei por que a conjugação no passado, eu ainda gosto de me sentir assim.
Eu digitava sem parar aquele dia e o calor era insuportável, então a janela estava escancarada e o ventilador no máximo e mesmo assim eu não conseguia sentir o vento, um ar pesado estava ao meu redor e eu mal conseguia respirar , mas não podia parar o que estava fazendo.
De repente a luz vacilou em um dos pontos da mesa, como se alguém estivesse fazendo sombra no lugar no qual eu estava trabalhando; aconteceu só por um momento, breve, quase imperceptível, mas me assustou e eu olhei para trás e lá estava ela.
Era amarela, estava meio perdida, dançando em volta do ventilador como se estivesse hipnotizada pelo movimento circular, então como num clique, despertou e passou a voar por todo o quarto, querendo fugir, querendo passar pelo mesmo buraco que a levara aquele lugar estranho: a janela escancarada. No entanto, aquele buraco não parecia tão grande assim, não agora que ela estava dentro do quarto estranho sob a vigília daqueles olhos curiosos, encantados, os meus.
Depois de um tempo ela se cansou, pousou na parede colorida e simplesmente desistiu, eu pensei em como ajudar, mas o toque das minhas mãos assustava a frágil borboleta e o meu medo de machucá-la fez com que eu desistisse de ajudar. Quando eu cheguei em casa hoje, ela estava morta.
Quantas pessoas são como essa borboleta? Desistem de si mesmas e fazem com que seja tão difícil ajudá-las que todos acabam deixando para lá. Bom, o que eu decidi é que eu vou fazer mais por essas pessoas do que eu pude fazer pela borboleta.

=*