sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Paixões


Sonhando. Foi assim que se sentiu a primeira vez na qual foi aquele lugar. Um lugar simples, pequeno, cuja dona era simplesmente encantadora. Totalmente aconhegante, assim como aquele sofá onde sentou-se pela primera vez, aquele sofá que a puxava pedindo que ficasse um pouco mais e ouvisse falar daquele sonho de dançar.
No dia da tão esperada primeira aula, ela desistiu de ir; mudou de planos. Tinha a chance de ficar mais tempo com o homem que amava e desistiu de ir. Sabia que se não aproveitasse aquele momento com ele poderia não ter outro. E então algo estranho aconteceu, conforme os ponteiros do relógio iam aproximando-se da hora da aula teve, pela primeira vez, forças para deixá-lo de lado e ir de encontro a sua, até então desconhecida, nova paixão. Avassaladora paixão.
Foi amor à primeira vista. A facilidade. A felicidade. Tudo porque seus pés moviam-se no ritmo da música que ecoava pelo pequeno salão. O tempo foi passando e a paixão aumentando. Aumentando. Tinha que dançar, dançar por horas, todas as semanas. Ou sentia-se incompleta, vazia e voltava a pensar nele. Nele que não sentia-se vazio ao lembrar-se dela. Era triste até a gafieira começar e seus pés colocarem um sorriso em seu rosto.
Precisava da dança, mas ao mesmo tempo não queria se sentir tão solitária. Cometeu o erro de misturar o amor e a dança. Nunca deveria ter o feito, porque agora estava sozinha. Sem ninguém. E a dança a rejeitava, a repudiava, a machucava. Então o mais inesperado aconteceu, ele voltou, ele a quem ela amava mais do que qualquer coisa. Sem aviso prévio, voltou para sua vida e uma satisfação e alívio tomaram conta de seu coração: não se sentiria mais vazia.
Com as semanas viu como a segunda paixão fazia falta, latejava; percebeu como seus olhos brilhavam e seu coração saltitava ao ouvir as músicas, ao lembrar os passos. Assinalou para si mesma mentalmente que havia escolhido a dança justamente para que sua nova vida nada tivesse a ver com aquela que havia levado com ele, mas agora ele estava lá, ao seu lado novamente e odiava a dança. Como poderia conciliar?
Acordou uma manhã e decidiu, decidiu que precisava da dança. Que só seria feliz completamente com os dois. Pegou suas sandálias e foi até a escola de dança mais próxima: dançou até não aguentar mais, quando se deu conta de que ele estava na porta, olhava para ela e então ela soube que não precisava mais ficar triste. Ele foi até lá, ele a amava, ele entendeu a importância latente que aquilo tinha para ela. As duas conflitantes paixões de sua vida estavam dentro dela e iriam se entender.

domingo, 21 de setembro de 2008

A Batida Perfeita


Sexta à noite; balada com as garotas: DIVERSÃO. Sentir cada música em busca do ritmo que faça você se sentir livre. Voar nos sons. Esquecer os outros reparando em você. Ter aquelas poucas horas onde o universo se restringe àquelas paredes que vibram com cada nota. As ondas fazendo com que o seu coração acelere. E de repente, algo faz você bater em uma parede invísivel que te lembra o quanto você não está isenta do resto da humanidade. Você obviamente não vai descobrir a batida perfeita naquela noite...
Sábado à noite; filme com o namorado: ROMANCE. Sentir cada toque em busca do contato que faça você se sentir protegida. Mergulhar nos abraços. Esquecer os pais no andar de baixo. Ter aquelas poucas horas onde o universo se restringe àquelas paredes que felizmente não podem testemunhar contra o seu inocente filme. Os beijos fazendo com que o seu coração pare por frações de segundo. E de repente, você se dá conta... A batida perfeita era sua o tempo todo, mas você só percebe quando encosta a cabeça no peito dele. ♥

sábado, 30 de agosto de 2008

Chance

Quando parece que você não precisa mais de uma. Quando você tem certeza que fez tudo o que podia com as que você já teve. É ai que a vida te surpreende e te dá mais uma chance. De ter mais e mais beijos. De ser feliz. De planejar o futuro. De andar de mãos dadas numa tarde de inverno sem ter muito o que fazer. De ignorar as pessoas ao redor. De olhar nos olhos e achar a velha cumplicidade. De se transportar para um mundo paralelo onde dessa vez as coisas possam realmente dar certo. E voltar pro mundo real para constatar que isso pode, de fato, ser verdade. E quando o mundo te dá essa tão inesperada chance a vontade é mergulhar de cabeça como se o passado estivesse enterrado, mas o medo ainda está lá. E a chance esperando para ser aproveitada, melhor que todas as outras.

♥

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sequestro

Eu tenho medo de olhar no relógio e ver que ainda não é hora de ir, que ainda terei que esperar tempo demais para poder sair daqui. E a verdade é que eu nem sei o porquê de eu querer sair... Para onde eu iria já que seus braços não estão abertos à espera dos meus abraços? E mesmo assim, a vontade de fugir, de não ter compromisso com essa responsabilidade tardia e caminhar à beira-mar, noite adentro, sonho adentro... Anseio de te ver, de te querer, de me querer com você, de enfim te ter.

♥

- O que você tá fazendo aqui?
- Eu estou oficialmente sequestrando você! Entra aí... - abrindo a porta do carro.
- Mas... Eu tenho aula agora.
- Alguma coisa realmente importante?
[silêncio]
- Foi o que eu imaginei.
- Para onde nós vamos? - entrando no carro.
- Confia em mim...
[algumas horas depois: o pôr do sol... na praia]


♪ As long as you are there... We can go anywhere!

;]

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Saudade


sau.da.de (l. solitate). 1. Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2. Nostalgia. 3. Lembranças, recomendações, cumprimentos.

Eu sinto saudade. De correr pela fazenda, de brincar de esconde-esconde, tomar banho de mangueira cantando: "Meu limão meu limoeiroooo"♪, fazer pique-nique com bolo de terra, tomar banho na bacia onde primeiro cabiam três, depois duas e depois nem eu direito, de quando balada era sonho e dormir depois da meia noite era um evento espetacular. Saudade da infância.
Saudade da cidadezinha onde mora o meu coração e de todas as pessoas que moram por lá, dos amigos feitos nas viagens, das trilhas na praia, de ver as estrelas no carro parado em estradas de terra, de sentar nas pedras pra ver o sol, o pôr do sol, o sol nascer. Saudade dos lugares.
Saudade daquela lista enorme de nomes, os que moram longe, os que são ocupados demais, os que não se lembram de mim, os que eu não me lembro, os que eu vou ver amanhã, os que eu vi faz tão pouco tempo. Saudade das pessoas.
E ai quando eu achava que não tinha mais nenhuma saudade pra sentir me veio esta. Estranha. Que eu não consigo definir e nem achar definição. Não no dicionário. Não nos livros. Não nas pessoas que eu conheço, nem nos beijos que eu experimentei. Saudade de uma coisa que eu nem sei o que é. Não que eu não saiba por que nunca tenha visto, eu vi. Mas não sei o que é, porque nunca tive. E como se pode sentir saudades de algo que nunca se teve?? Como posso sentir saudades de você debaixo do meu cobertor num domingo chuvoso assistindo qualquer babaquice na televisão? Como posso sentir saudades da sua mão na minha? Como posso sentir saudades de encontrar seu olhar me vigiando quando eu acordo de manhã? Não consigo entender e nem sei se eu quero entender. O que eu quero mesmo é matar essa saudade.

♥